Deputados distritais reeleitos falam sobre projetos e objetivos para os próximo quatro anos

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PARLAMENTARES EM AÇÃO:

Por Bárbara Mattar
 

A última eleição foi marcada por uma participação popular que há muito não se via. Manifestações e cobranças por projetos mais embasados dos candidatos elegíveis foram frequentes nas ruas e nas redes sociais. Ações pautadas na indignação popular com a atual situação política do país. 

O resultado de toda essa inflamação foi sentido nas urnas: o maior índice de renovação em todas as casas legislativas desde 1994. 

Na Câmara dos Deputados, mais de 40% dos integrantes devem ocupar as caderias na plenária pela primeira vez – 47,37% de novos deputados, segundo a Secretaria – Geral da Mesa (SGM). O maior índice desde a eleição da Assembleia Constituinte em 1986.

No Distrito Federal, essa realidade não foi diferente. Com vinte e quatro deputados constituindo a mesa da Casa, apenas oito foram reeleitos para o mandato de 2019‑2022.

Agaciel Maia (PR), Chico Vigilante (PT), Claúdio Abrantes (PDT), Delmasso (PRB), Professor Reginaldo Veras (PDT), Rafael Prudente (MDB), Robério Negreiros (PSD) e Telam Rufino (PROS) foram os escolhidos pelos eleitores do Distrito Federal para continuarem representando interesses públicos na CLDF.

Elencamos aqui as propostas, opiniões e objetivos de três dos deputados reeleitos, para os próximos anos de atuação. As propostas vão desde uma atenção maior aos serviços básicos como saúde, segurança e esporte até projetos mais específicos para a área de educação, geração de emprego no DF e políticas de inclusão social.

Chico Vigilante (PT), Professor Reginaldo Veras (PDT) e Robério Negreiros (PSD) falaram também sobre suas visões sobre o atual cenário político e as expectativas para o governo de Ibaneis Rocha (MDB), eleito com 69,79% dos votos válidos como governador do Distrito Federal.

Chico Vigilante

A escolha pela política deu‑se na primeira greve de vigilantes em 1979, durante o então regime militar. Com a necessidade da paralisação, Chico sentiu que precisava representar aqueles trabalhadores da época.

Depois da fundação do PT, o já conhecido Chico Vigilante, tornou‑se presidente, em 1983, da primeira direção nacional da Central Única dos Trabalhadores – CUT. Em 1986 candidatou‑se a deputado constituinte, mas a sigla não teve votos suficientes para sua eleição. Foi eleito deputado federal em 1990 e quatro anos depois foi o parlamentar mais bem votado em Brasília. Perdeu as eleições em 1998, mas retornou em 2002 como deputado distrital, cargo que ocupa atualmente.

Ao deparar‑se com o baixo número de reeleições da CLDF, Chico Vigilante afirma que sua permanência na casa, deve‑se à sua postura ativa e sempre atualizada. “Não tem que mudar só os rostos, mas sim as práticas, tem que reciclar. E eu sempre procurei fazer isso. Isso fez com que, com todo esse desejo de mudança, eu me mantivesse aqui e ainda tivesse um aumento de 18% no meu índice de votação.”.

Ainda no que toca às mudanças, Chico também já tem sua opinião definida sobre as questões do Executivo Federal. “Nós sabemos que, do ponto de vista nacional, o Brasil mudou para pior. Estamos mergulhados em um momento muito triste e não sabemos onde vamos parar.”.

O distrital pretende fazer também um papel de fiscalizador do governo de Ibaneis Rocha, colocando‑se como oposição sempre que a situação for contrária aos interesses da população.

“Eu tenho a felicidade de ter sido deputado no Governo Roriz, Cristovam e Agnelo e sempre tive uma posição muito clara: a defesa dos interesses maiores da comunidade. Eu vou continuar me posicionando dessa forma. Criticando o que tem que ser criticado, me opondo ao que precisa de oposição e apoiando aquilo que for bom para o Distrito Federal e eu já deixei isso claro para o governador Ibaneis.”.

Na vida pública, Chico Vigilante aprovou mais de 40 projetos de leis que visavam a melhoria da qualidade de vida não somente de trabalhadores, mas também da comunidade em geral. Aprovou a lei que determina que todos os prédios do DF individualizem seus hidrômetros, a fim de diminuir o desperdício de água e ter mais controle sobre os gastos individuais de cada apartamento. Também aprovou na casa uma lei que determina que os gestores das regiões administrativas, popularmente conhecidas como Cidades Satélites ,sejam escolhidos por meio de votação popular para acabar com o que ele chama de “troca de favores entre deputados e administradores”. O objetivo da lei é que os administradores passem a ser escolhidos pela comunidade e “ao invés de ter compromisso com quem o indicou, ter com a comunidade”. O projeto foi vetado pelo governador Rodrigo Rollemberg.

Para o próximo mandato, uma de suas bandeiras serão os direitos básicos da população e a aprovação de novas matérias como o Projeto de lei “Escola sem Censura”, lido em plenária no dia 20 de novembro e que já corre em tramitação. “Fala‑se hoje em escola sem partido e em questões ideológicas, mas o projeto deles é sobre ideologia. Uma ideologia de direita que quer proibir os professores de desenvolverem a mentalidade das crianças, para que elas saibam o que bem e mal, discriminação e racismo. A sala de aula é um território livre para a criatividade, para o pensamento e ninguém poderá ser recriminado por isso. Está na Constituição.”.

Chico Vigilante também está atento ao desenvolvimento do DF. Para ele, a capital federal tem muito potencial, mas ainda precisa melhorar no que tange às novas tecnologias. “É preciso que todos os órgãos do Distrito Federal se modernizem.”.

Professor Reginaldo Veras

Seu último mandato foi marcado pela constante busca de melhorias na educação e na administração dos recursos públicos. “Encaminhei emendas parlamentares para compra de remédios, reformas de escolas e abri mão das ‘regalias’ concedidas aos parlamentares.”.

O representante do Partido Democrático Trabalhista foi reeleito com 27.998 votos e acredita que sua reeleição é o reflexo do seu pilar de governo: “independência, coerência, transparência, economicidade, honestidade e aplicação dos recursos públicos nas áreas prioritárias.”.

Para os próximos quatro anos, Reginaldo Veras continuará lutando pelas bandeiras da educação de qualidade. “Meus projetos continuarão sendo focados na educação pública e na melhoria da capacidade fiscalizatória em relação às ações do governo.”.

Sem experiência na vida política, o governador eleito no DF, Ibaneis Rocha, ainda é politicamente desconhecido não somente para a população, mas também para o parlamentar. “Assim como a população do DF, não conheço o Govenador. Torço que ele consiga executar pelo menos 40% dos inúmeros compromissos assumidos.” A postura do deputado é firme em relação ao assunto: “serei um deputado independente, mas um fiscalizador implacável.”.

A desburocratização do Estado é pauta permanente das casas legislativas e também um dos focos do deputado, pois ele acredita que com ações de facilitação é possível gerar mais empregos e fazer a economia do país voltar a crescer.  

“Com investimentos, desburocratização e vontade política é possível informatizar e melhorar a qualidade dos serviços públicos, melhorando a eficiência do Estado.”.

Robério Negreiros

Antes mesmo de disputar eleições, Robério descobriu a vocação como gestor na época em que ocupou a cadeira de dirigente no Sindicato das Empresas de Segurança Privada e na Federação Nacional das Empresas de Segurança. “Vi que a participação política e o desenvolvimento de ideias eram importantes. Resolvi, então, ingressar na vida pública para representar interesses dos cidadãos e de classes sociais que careciam de representatividade.”.

Autor de quarenta e cinco leis na CLDF, o deputado já apresentou mais de 330 projetos de lei, com foco em temas como empreendedorismo, geração de emprego e renda, combate à violência contra mulher, inclusão social e projetos para melhoria de vida de pessoas com doenças raras.

A atipicidade das eleições de 2018 foi uma surpresa para o distrital. “A mudança na política ocorreu não só no DF, mas em todo o Brasil. Nomes fortes e esperados foram rejeitados nas urnas. O resultado final do segundo turno para presidente e governador do DF confirmou a mudança.”. Para ele, o sentimento da reeleição é de gratidão. “Sinto‑me honrado em ter sido reeleito.”.

Em se tratando de mudanças no governo do DF, Robério Negreiros acredita em um mandato de renovação de Ibaneis Rocha, mesmo sem a expertise política adquirida com a prática governamental.

“Apesar de não ter experiência no Executivo, o governador tem boas propostas para o Distrito Federal.  Acredito na melhora e em novos tempos para nossa cidade.”.

E é enfático: “O governador contará com meu apoio no Legislativo, votarei conscientemente os projetos do Poder Executivo propostos na CLDF, como sempre fiz.”.

Os projetos pensados para os anos do próximo mandato passam desde assuntos básicos como saúde, educação e segurança até temas mais específicos como projetos para o esporte, empreendedorismo, valorização do contribuinte, gestão no poder, inclusão de pessoas com síndrome de down e proteção da juventude.”.

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